O Prisma regressa com mais um “Mito ou verdade” e um tema que preocupa cada vez mais pessoas: a luz azul dos dispositivos eletrónicos faz mal à saúde? Com smartphones, computadores e tablets omnipresentes no nosso dia a dia, multiplicam-se as questões sobre os efeitos desta exposição constante. Uns defendem que podem causar problemas oculares e de sono, outros dizem que é puroalarmismo. Afinal, é mito ou verdade?
O que é a luz azul e onde está presente?
A luz azul faz parte do espectro visível da luz e tem um comprimento de onda curto, entre 400 e 500 nanómetros. A maior fonte de luz azul é, na verdade, o sol e estamos expostos a ela, durante o dia, e de forma natural.
No entanto, com a proliferação de dispositivos eletrónicos e iluminação LED, passamos cada vez mais tempo expostos a luz azul artificial, especialmente durante a noite. Os ecrãs dos smartphones, computadores, tablets e televisores emitem quantidades significativas de luz azul, embora muito inferiores às do sol. A questão central não é tanto a intensidade, mas sim o momento e a duração da exposição.
O que a ciência diz sobre os efeitos da luz azul
A investigação científica mostra que a luz azul tem efeitos documentados, mas o panorama é mais complexo do que parece. Durante o dia, a exposição à luz azul parece ser benéfica: melhora a atenção, o tempo de reação e até o humor.
O problema surge, então, quando nos expomos à luz azul durante a noite.
Estudos científicos demonstram que a luz azul elimina cerca de duas vezes mais do que outros comprimentos de onda a produção de melatonina (a hormona do sono). O que acontece é que esta supressão pode atrasar o início do sono, reduzir a sua qualidade e desregular o ritmo circadiano, o que, por sua vez, traz consigo um risco aumentado de diabetes e doenças cardiovasculares, entre outros.
E a saúde ocular?
Quanto aos efeitos da luz azul nos olhos, a evidência é menos clara. Uma revisão sistemática de pesquisas científicas concluiu que não há evidência conclusiva de que a luz azul emitida por ecrãs cause degeneração macular ou outros danos permanentes na retina. Os sintomas de fadiga ocular, olhos secos e visão turva que muitas pessoas atribuem à luz azul parecem estar mais relacionados com o tempo prolongado de ecrãs, a redução do pestanejar ou uma má ergonomia do que propriamente com o comprimento de onda da luz.
Os óculos de proteção funcionam?
Quanto aos óculos que bloqueiam luz azul, a ciência não é perentória. Se, por um lado, já foi demonstrado que a luz azul reduz a fadiga ocular ou melhora a qualidade do sono, investigações recentes sugerem que óculos com filtro de alta densidade podem ser eficazes quando usados nas horas antes de dormir, ajudando a atenuar a eliminação de melatonina. Porém, a maioria dos óculos comercializados tem filtros muito ligeiros e que parecem ser insuficientes.
Conclusão: verdade, mas…
A luz azul faz mal? A resposta não é simples e parece depender do momento e da exposição. Se durante o dia a luz azul é necessária para regular o nosso relógio biológico, à noite pode tornar-se problemática especialmente nas duas/três horas antes de dormirmos. No entanto, os principais problemas da luz azul não são danos diretos nos olhos, mas sim problemas do sono e a desregulação do ritmo circadiano. A fadiga ocular que sentimos após horas ao computador resulta mais do tempo contínuo de ecrã do que especificamente da luz azul.
Assim, os conselhos são simples, mas (suspeitamos) talvez difíceis de adotar na prática: elimine ecrãs antes de dormir, ative o modo noturnos no seu telemóvel, faça pausas regulares durante o trabalho ao computador, assegure que tem boa iluminação e exponha-se à luz natural durante o dia.





